sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Porto União da Vitória, cidades ricas, cheia de pobres!

Com a única exceção sendo o segmento político, em todos os demais nossas cidades são mais do que gêmeas, são siamesas. Um único povo que luta e sonha com dias melhores sem distinção de limites geográficos.

Entretanto, o que já foi polo e cidade promissora para todo o estado, é agora apenas lembranças de um sonho que não foi transformado em realidade. Polo madeireiro, ao longo da história só trilhou o caminho da concentração de riquezas. Hoje, quem visita nossas cidades, num primeiro momento fica impressionado. São belezas naturais, aparência de desenvolvimento, carisma da população e lembranças de promessas que deixaram, uma a uma, de se cumprirem. A madeira acabou, a diversificação econômica foi barrada por uma política de concentração de riqueza e poder centrado no poder político que perdura geração após geração.
Hoje temos 70% de toda a riqueza de nossas cidades, incluindo aí os imóveis, tanto comerciais como residenciais, nas mãos de apenas 5% da população. Pior, temos em torno de 60% da capacidade de investimentos da população residente em nossas cidades, que aplicou em imóveis em outras cidades, especialmente no litoral catarinense e na capital paranaense. Para completar, temos um renda per capta miserável, sendo uma das mais baixas de todo o estado. Ou seja, temos riquezas, somos uma cidade com potencial, mas vivemos de aparência. Uma bela cidade, dominada por uma minoria muito rica, porém, "cheia" com a maioria de pobres. 
Nos últimos 20 anos, poderíamos listar pelo menos 40 empresas, em média duas por ano, que demonstraram interesse em instalar-se em nossas cidades, entre elas algumas de médio e até grande porte, mas que repentinamente e sem nenhuma justificativa pública desistiram de nossas cidades e instalaram-se em outras cidades e regiões. Se apenas a metade dessas empresas tivessem de fato se instalado aqui, hoje teríamos um mercado de trabalho com, no mínimo, mais cinco mil empregos do que os atuais disponíveis. Cabe ressaltar que na maioria dos casos, instalaram-se em cidades que não possuem nem a metade do potencial que nós temos, por exemplo, o fato de termos a nossa disposição um rodovia transbrasiliana, que para o sul vai até o Uruguai e para o norte até as duas maiores fontes gerativas de consumo e produção, que é o eixo São Paulo-Rio de Janeiro, sem falar que é caminho do nosso principal Porto, Paranaguá.
Eleição após eleição, candidatos a prefeito, deputados e até governadores, prometem a sonhada "nova matriz econômica". Quem não lembra da promessa de Jaime Lerner, que União da Vitória seria o "polo moveleiro" do Paraná? - Entretanto nada de significativo aconteceu, e nossos representantes principalmente na esfera estadual, repetem a mesma estratégia. Quando se aproximam as eleições novamente, "chove verbinhas" para reformar escolas, ginásio de esportes e recapear asfaltos, quando muito algumas quadras novas de asfalto. E as chamadas lideranças locais proclamam: "esse trabalha pelo povo"!
Nos últimos 10 anos, muitos veem se "enganando" com a chamada cidade "universitária". Não que esse crescimento de nossas faculdades locais não tenham nenhum valor. Têm sim. Mas de nada adianta termos todos os anos alguns milhares de jovens se formando em cursos, até que interessantes, mas ao final deles indo embora, pois aqui não conseguem mercado de trabalho para aplicarem sua nova formação profissional.
O que fazer então?
Mudar. Pois tudo o que foi feito até aqui, apresentou resultados práticos insatisfatórios, para não dizer catastróficos. Se alguém ousar ofender-se, façam comparações práticas, com Francisco Beltrão, Pato Branco, Cascavel, Maringá, Londrina, entre outras cidades que a 30 anos atrás eram muito menores e hoje é até covardia comparar com Porto União da Vitória.
Nossos representantes tanto políticos quanto das entidades representativas precisam apresentar outra visão, outra proposta, precisam de fato fazerem algo para se justificarem nos cargos e instituições das quais estão a frente. Para finalizar uma sugestão: vamos copiar as ações que fizeram das cidades acima citadas, o sucesso de desenvolvimento que hoje elas são.